Perilo Ambrósio é um sujeito escroto, parido por João Ubaldo Ribeiro em "Viva o povo brasileiro". Ele, ou Ubaldo? Nunca sei a quem atribuir os atos. Ao criador ou a criatura? Pois bem, por ora, vou jogar a culpa no escroto criado. Perilo traduz em uma frase o que acho que todo cidadão, com raciocínio acima de uma ameba em coma, deveria tomar em uma votação. A citação é:
"─ Entre a Pátria e a família, minha boa mulher, Deus há sempre de me dar forças para escolher a primeira, eis que vale mais o destino de um povo que a sina de um só."
Essa é minha opinião sobre política. Não há de se pensar somente no seu quinhão. Eu entendo que, Serra ou Dilma, se entrarem, pouco vão influir na vida das classes mais altas. Talvez as coisas fiquem um pouco mais difíceis ou um pouco mais fáceis para mim, mas não vai mudar muito.
Muda realmente para os extremos. Sobretudo para o extremo mais pobre. A entrada de Lula em 2002 impactou de uma forma absurda na população miserável. Entrando ele ou Serra para mim (enquanto classe média) tanto fazia, mas não tanto fez para essa classe de gente que vive na faixa de gaza - entre a fome e a vontade de morrer.
Isso, para nós paraibanos, ainda é mais evidente. A frase parece ter sido criada para o nosso cenário político. Há de se votar pensando em quem de fato é melhor para todos, e não de um destino comissionado de um só.
--
ps.: Voto em Dilma e Ricardo.
Ainda estou lendo viva o povo brasileiro, mas ele é grande e não tem figuras. Não estou gostanto.
Apesar da frase, Perilo é um escroto.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Livros e Remédios
Acabei de ler Adultérios, de Woody Allen. Estou dizendo isso porque é raro eu ler. Por isso, é preciso registrar. Já disse, não gosto de ler, gosto mais das figurinhas.
O fato é que depois desse livro eu consegui caracterizar livros como remédios. Eu espero que um livro exercite partes dos meu cérebro que nunca, ou na maioria das vezes, são pouco utilizadas. Ou seja, que me cure ou me faça melhorar de alguma deficiência.
No caso desse livro, eu o caracterizei como um placebo. Li rápido. Digeri. Me deu uma sensação bacana de bem-estar por causa dos diálogos inteligentes e piadas/sacadas interessantes. No entanto, foi tudo efêmero e não causou efeito real. Eu não consigo dizer para alguém os motivos para se ler Adultérios. O livro me deixou bem por um certo tempo (5 minutos), mas não vai me servir nem para me gabar na roda de pseuso-intelectuais que frequentam o bar do tenebroso.
"Cara, Woody Allen é um gênio. Já li vários livros dele. Ele é o cara. O ISO 9001 dos criadores de diálogo Froidianos. Leia Adultérios, leia porque...é...é...porque é dele, velho. O cara é bom."
Por outro lado, Cem Anos de Solidão é um livro que me curou alguns carcinomas (eu ia dizer câncer, mas o plural de câncer é muito escroto).
Ainda, eu acho que existem livros que assemelham-se a quimioterapia. Isto é, eles te curam de células danosas, mas estraga outras e fazem você se comportar como babaca quando vai discutir algo relacionado ao assunto. Exemplos desses livros você pode encontrar na seção de livros marxistas.
O fato é que depois desse livro eu consegui caracterizar livros como remédios. Eu espero que um livro exercite partes dos meu cérebro que nunca, ou na maioria das vezes, são pouco utilizadas. Ou seja, que me cure ou me faça melhorar de alguma deficiência.
No caso desse livro, eu o caracterizei como um placebo. Li rápido. Digeri. Me deu uma sensação bacana de bem-estar por causa dos diálogos inteligentes e piadas/sacadas interessantes. No entanto, foi tudo efêmero e não causou efeito real. Eu não consigo dizer para alguém os motivos para se ler Adultérios. O livro me deixou bem por um certo tempo (5 minutos), mas não vai me servir nem para me gabar na roda de pseuso-intelectuais que frequentam o bar do tenebroso.
"Cara, Woody Allen é um gênio. Já li vários livros dele. Ele é o cara. O ISO 9001 dos criadores de diálogo Froidianos. Leia Adultérios, leia porque...é...é...porque é dele, velho. O cara é bom."
Por outro lado, Cem Anos de Solidão é um livro que me curou alguns carcinomas (eu ia dizer câncer, mas o plural de câncer é muito escroto).
Ainda, eu acho que existem livros que assemelham-se a quimioterapia. Isto é, eles te curam de células danosas, mas estraga outras e fazem você se comportar como babaca quando vai discutir algo relacionado ao assunto. Exemplos desses livros você pode encontrar na seção de livros marxistas.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Carregadores de Piano
Essa dúvida de que somos ou não ciência é papo recorrente e polêmico. No entanto, uma coisa que tenho certeza desde que ouvi Jacques falando pela primeira vez é que nós (ciência da computação) somos meio.
É isso. Computação não é fim. É meio. Somos usados para alguém ganhar dinheiro mais rápido. Somos veículo. Carregadores de piano.
O problema é que eu sempre olhei essa constatação com 3 graus de miopia. Sempre olhava com o viés do mercado. Empresários utilizam sistemas de informação para gerenciar melhor os dados e automatizar tarefas e, por consequência, arrecadar mais metal. No entanto, se olharmos com os óculos da pesquisa, podemos também servir de veículo para outras ciências.
Veja, a estatística permeia quase todas as outras ciências, servindo de veículo para dizer verdades com 95% de confiança. Por que não somos tão bem sucedidos quanto eles? Ou somos?
Se for parar pra pensar, o MatLab está aí poupando unidades de tempo da galera tem um bom tempo. Só que eu acho que poderíamos fazer mais. Nos mostrar mais. Eu tenho uma impressão do tamanho do meu bigode de que tem gente usando Poly 1.6 pra fazer cálculo repetitivo na mão porque não conhece o conceito de algoritmo.
Tudo bem. A estatística é ensinada desde que nos entendemos por estudantes de exatas. Será que essa é a saída então? Uns 2,5 Tesla de algoritmos no ensino médio?
Esse post é isso mesmo. Várias perguntas que gostaria de ouvir algumas respostas. Se possível, divergentes :)
É isso. Computação não é fim. É meio. Somos usados para alguém ganhar dinheiro mais rápido. Somos veículo. Carregadores de piano.
O problema é que eu sempre olhei essa constatação com 3 graus de miopia. Sempre olhava com o viés do mercado. Empresários utilizam sistemas de informação para gerenciar melhor os dados e automatizar tarefas e, por consequência, arrecadar mais metal. No entanto, se olharmos com os óculos da pesquisa, podemos também servir de veículo para outras ciências.
Veja, a estatística permeia quase todas as outras ciências, servindo de veículo para dizer verdades com 95% de confiança. Por que não somos tão bem sucedidos quanto eles? Ou somos?
Se for parar pra pensar, o MatLab está aí poupando unidades de tempo da galera tem um bom tempo. Só que eu acho que poderíamos fazer mais. Nos mostrar mais. Eu tenho uma impressão do tamanho do meu bigode de que tem gente usando Poly 1.6 pra fazer cálculo repetitivo na mão porque não conhece o conceito de algoritmo.
Tudo bem. A estatística é ensinada desde que nos entendemos por estudantes de exatas. Será que essa é a saída então? Uns 2,5 Tesla de algoritmos no ensino médio?
Esse post é isso mesmo. Várias perguntas que gostaria de ouvir algumas respostas. Se possível, divergentes :)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Resumindo as discussões sobre o post anterior
Pessoal, muito legal as discussões geradas pelo post anterior. Faz tempo que eu não incendiava tanto. A última vez foi quando disse que Bono Vox é o Reginaldo Rossi Irlandês.
Resolvi fazer esse post para resumir alguns pontos interessantes. Alguém me corrige se eu estiver errado.
O primeiro é: Pelo menos estamos preocupados/incomodados com a questão. Isso é um ótimo sinal e devemos seguir questionando. (Não sei se foi isso que Nigini quis dizer com "Espero que meus colegas novos cientístas continuem novos...")
- Isso devemos (pelo menos eu devo) muito aos nossos professores. Em especial, esse semestre, Raquel e seu filho mais velho - o método científico.
Nazareno acha que outro ponto muito importante é a relevância do que se estuda. O que faz muito sentido, embora Matheus tenha dado um contra-exemplo interessante. "Apenas 8 anos depois minha pesquisa foi utilizada."
Além disso, muitos concordam que pressões por publicação pode ser um catalisador do comportamento desonesto. Só que, como sempre, Nazareno viu além. Ele lembra que isso é só um reflexo da maneira como somos avaliados (# de publicações).
Resolvi fazer esse post para resumir alguns pontos interessantes. Alguém me corrige se eu estiver errado.
O primeiro é: Pelo menos estamos preocupados/incomodados com a questão. Isso é um ótimo sinal e devemos seguir questionando. (Não sei se foi isso que Nigini quis dizer com "Espero que meus colegas novos cientístas continuem novos...")
- Isso devemos (pelo menos eu devo) muito aos nossos professores. Em especial, esse semestre, Raquel e seu filho mais velho - o método científico.
Nazareno acha que outro ponto muito importante é a relevância do que se estuda. O que faz muito sentido, embora Matheus tenha dado um contra-exemplo interessante. "Apenas 8 anos depois minha pesquisa foi utilizada."
Além disso, muitos concordam que pressões por publicação pode ser um catalisador do comportamento desonesto. Só que, como sempre, Nazareno viu além. Ele lembra que isso é só um reflexo da maneira como somos avaliados (# de publicações).
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Será que o que fazemos é pesquisa?
Eu acho que vou ser bastante criticado por esse post, mas essa é a ideia.
Eu faço a pergunta do título porque acredito que o que nós temos feito está bem longe da palavra pesquisa em seu sentido denotativo - investigação, indagação, inquirição, busca.
O que me leva a pensar assim é fato de existir uma grande quantidade de trabalhos, inclusive o meu mestrado, da seguinte maneira:
"Tenho uma ideia interessante e preciso mostrar que ela faz sentido, escala, tolera falhas etc"
Esse é o primeiro passo. Só depois disso se pensa "Qual problema eu quero atacar?", "Quem são os trabalhos relacionados?" e "Que métrica utilizar para avaliar?".
Isso é tão verdade que, *muita vezes*, mudamos o problema sendo atacado sem que se mude a solução!
A última pergunta evidencia ainda mais a minha opinião. Se eu utilizar uma métrica que não me favorece, a minha primeira atitude é entender o porquê disso. A minha ideia nunca está errada. E eu não meço esforços para mostrar isso. Mudo os cenários, mudo os dados de entrada etc. Mudo até a métrica, se for preciso. (eu = pesquisador)
Nesse caso, esses pesquisadores podem ser vistos como "criadores de boas ideias".
Essa atitude é bem diferente de observar um fenômeno natural e perguntar: Por que isso acontece? O cara que faz isso está pesquisando o porquê de um determinado fenômeno. Mesmo que ele não tenha uma grande ideia, ele parece se aproximar mais da palavra pesquisa do que o tipo "criador de boas ideias."
O que eu acho é que essas duas espécies podem conviver tranquilamente. Por um lado, o pesquisador curioso identifica um fenômeno, o estuda e mostra o porquê dele acontecer. Enquanto que o pesquisador "criador de boas ideias" tenta bolar ideias que explorem aquele porquê.
No entanto, a espécie pesquisador curioso parece estar em estinção, ao menos em Ciência da Computação. Eu acredito que nós somos muito mais "criadores de boas ideias" e que empurramos essas ideias goela abaixo com alguma métrica que nos satisfaça.
Eu faço a pergunta do título porque acredito que o que nós temos feito está bem longe da palavra pesquisa em seu sentido denotativo - investigação, indagação, inquirição, busca.
O que me leva a pensar assim é fato de existir uma grande quantidade de trabalhos, inclusive o meu mestrado, da seguinte maneira:
"Tenho uma ideia interessante e preciso mostrar que ela faz sentido, escala, tolera falhas etc"
Esse é o primeiro passo. Só depois disso se pensa "Qual problema eu quero atacar?", "Quem são os trabalhos relacionados?" e "Que métrica utilizar para avaliar?".
Isso é tão verdade que, *muita vezes*, mudamos o problema sendo atacado sem que se mude a solução!
A última pergunta evidencia ainda mais a minha opinião. Se eu utilizar uma métrica que não me favorece, a minha primeira atitude é entender o porquê disso. A minha ideia nunca está errada. E eu não meço esforços para mostrar isso. Mudo os cenários, mudo os dados de entrada etc. Mudo até a métrica, se for preciso. (eu = pesquisador)
Nesse caso, esses pesquisadores podem ser vistos como "criadores de boas ideias".
Essa atitude é bem diferente de observar um fenômeno natural e perguntar: Por que isso acontece? O cara que faz isso está pesquisando o porquê de um determinado fenômeno. Mesmo que ele não tenha uma grande ideia, ele parece se aproximar mais da palavra pesquisa do que o tipo "criador de boas ideias."
O que eu acho é que essas duas espécies podem conviver tranquilamente. Por um lado, o pesquisador curioso identifica um fenômeno, o estuda e mostra o porquê dele acontecer. Enquanto que o pesquisador "criador de boas ideias" tenta bolar ideias que explorem aquele porquê.
No entanto, a espécie pesquisador curioso parece estar em estinção, ao menos em Ciência da Computação. Eu acredito que nós somos muito mais "criadores de boas ideias" e que empurramos essas ideias goela abaixo com alguma métrica que nos satisfaça.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Como conheci Gabriel Garcia Marquez (Bielito)
Muitos me questionaram se sou mesmo amigo de Bielito.
Não sou. Fomos amigos até o momento em que ele passou a escrever o que eu ainda estava por ditar.
À época, eu tinha 15 e ele 60. Tínhamos muito em comum. Eu acabara de conhecer a história de Che e estava numa fase revolucionária. Ele estava aposentado há 10 anos e também achava que uma revolução lhe cairia bem.
O conheci na feirinha, em João Pessoa. Eu saindo do café 33 para comer um cachorro quente na mundial e ele comprando o jornal na banca em frente a quadra de tênis do hotel Cabo Branco.
Quando pagou a conta, se virou meio nervoso e deixou cair a Playboy da Tiazinha (Suzana Alves) que ele tinha escondido entre a notícia que Ronaldo estava dopado na final da copa do mundo e o anúncio do nascimento da Google, que pretendia superar o Cadê como melhor site de busca.
Olhei pra ele e disse: "As entrevistas da playboy são muito boas, né não?"
Quebrei o gelo na hora com um velho código que os homens usam para justificar a compra da playboy.
Ele sacou na hora.
Depois comemos. Um cachorro quente. Eu paguei. Ele tinha gasto toda a grana na entrevista de Maílson da Nóbrega - o entrevistado da edição da Tiazinha.
Ficamos amigos durante alguns anos, mas o tempo acabou passando e nossa amizade foi sendo minada. Acabou quando ele tinha 80 e eu 25. Sim, se você fez as contas e elas não batem é porque o tempo corre mais rápido para os que se aproximam da morte.
Aos 80 ele já não queria mais a revolução. Tinha medo que seus bens fossem partilhados pelos comunistas do sindicato. Além disso, dizia que, por estar perto da morte, seus dias eram mais emocionantes que passar pela pirâmide do parque do povo portando relógio de ouro.
Eu ri disso. Me lembrei quando lhe apresentei Jackson do Pandeiro em pleno São João de Campina e lhe disse: "Vai me dizer que Shakira é melhor?"
Ele me respondeu: "Respeite Shakira! Ela é capaz de quebrar a indústria pornográfica com aquele rebolado."
Ele era doido pela Shakira. Pouco por ser conterrâneo, muito pelo rebolado.
Foi nesse tempo que ele escreveu um de seus livros. Me confessou certa vez que o título fazia referência a sua paixão pela colombiana. Em sua promessa, ele jurou que era capaz de trocar cem anos de solidão por uma noite com a cantora.
Eu lhe disse: "Contente-se com suas putas tristes, seu velho desmemoriado."
Daí, ele roubou o título de outra obra.
Depois disso começamos a brigar pela autoria de vários textos. Ele vinha com o velho argumento: Qualquer coisa que se pense, se não é escrito ou dito, não é seu.
Velho escroto.
Pior que, depois dele, eu criei esse blog e vivo escrevendo o que penso. Vai que uma merda dessas alguém lê e percebe quão vigaristas são os bons escritores. Vivem escrevendo o que nos pertence.
Gabriel Garcia Marquez
Eu li o livro "Memórias de minha putas tristes" faz muito tempo. No entanto, me lembrava perfeitamente que uma passagem dele foi feita por mim. Me lembrava em que parte (física mesmo) da página estava esse meu trecho e que pedi a "bielito" que não mudasse nem o que estivesse gramaticamente errado.
Ele disse que o texto era bom, mas que ia mudar umas coisas. Nossa amizade acabou por aí. Quando li "Cem anos de solidão", enviei uma carta para ele dizendo: "Que confusão mental é essa? Com tantos nomes e tão parecidos, não se passa da primeira página dessa merda. Ninguém vai ler."
Enfim, depois de muito tempo procurando, acabei achando meu trecho. Esse livro vale a pena só por ele. Não gosto de ler, curto mais as figurinhas.
"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."
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